A quem estou a escrever?
Quais são os olhos que estão a devorar-me?
Quem de duas décadas ainda está disposto a ouvir-me?
O altar não persegui
Nem caminhos percorri
Entrei-me por vezes
Trespassei até demais
Mas o que encontrei, perdeu-me
Chamaram-me e estava avulso
Andei, andei, andei, andei
O olhar movia-se, em difusão
Tantas vezes estive emperrado
O vento era o consolo
E os passos o cansaço
O tempo passou e endureceu
Os ossos atritam-se em duras cartilagens
O choro não veio, o riso não veio, não veio o devir
Arraiguei-me e me espanto
Esgotado, olho os que me seguem
Sem saber pra onde vou
Mas um dia dizer-lhes-ei:
Onde estavam com a cabeça
Que não viram que era eu
Quem buscava alguma coisa?
Euclides Araújo
Quais são os olhos que estão a devorar-me?
Quem de duas décadas ainda está disposto a ouvir-me?
O altar não persegui
Nem caminhos percorri
Entrei-me por vezes
Trespassei até demais
Mas o que encontrei, perdeu-me
Chamaram-me e estava avulso
Andei, andei, andei, andei
O olhar movia-se, em difusão
Tantas vezes estive emperrado
O vento era o consolo
E os passos o cansaço
O tempo passou e endureceu
Os ossos atritam-se em duras cartilagens
O choro não veio, o riso não veio, não veio o devir
Arraiguei-me e me espanto
Esgotado, olho os que me seguem
Sem saber pra onde vou
Mas um dia dizer-lhes-ei:
Onde estavam com a cabeça
Que não viram que era eu
Quem buscava alguma coisa?
Euclides Araújo

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