quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Devaneio



Traga-me de volta
Empurra-me para a evanescência
Brinda-me com os espíritos
Deixa-me viajar
Tira-me do show
Do mundo material

Faz-me ver além
Salva-me da aparência
Joga-me ao sonho
Mostra-me o eterno

Doa-me às fadas
Entrega-me às ninfas
Deixa-me voar
Dá-me o que é meu
Mas não ouse me acordar

Não leva-me aos demônios
Que nascem ao amanhecer
Deixa-me pra sempre
Com o infinito do meu ser

EAC

terça-feira, 12 de julho de 2011

Centelha


Despeço-me de ser
Eternamente deixo de existir
Em complexidade

Sou pois, posto em análise
Finda amostra fundamental
Do todo que se foi

As partes se perdem
O elo foi quebrado
As leis agora são microcósmicas

Espera-se a definição
Os destinos no espaço infinito
Que abraçará a centelha
(Que um dia foi vida)

 EAC

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Anjo



Se tinha uma missão
Terei fracassado
É chegada minha hora
De voltar proutro lado

Trazer de volta a esperança
Dar a um algum sentido
Se um caso conseguido
Não terá sido perdido

EAC 

domingo, 19 de junho de 2011

O vencedor


Desta vez tentei
E nem por obrigação
Eu fiz
Por querer
Eu tentei
E quem sabe por ti
Ajudei?
Eu tentei

Fomos dois
Conversamos
Juntos
Tentamos
Construímos
Sem término
Terminamos

Que dor agora sinto

Você viverá
Para sempre
Acreditará
A hora da derrota
Para você nunca chega
Meu caro amigo
EAC

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Coração Noturno


Morre lentamente

Quem dói todos os dias
Quem não chora, porque não pode
Quem teve passado e não vê nenhum futuro
Quem é sempre ignorado e incompreendido
E não sente nada além do vazio

Morre lentamente

Quem quer desaparecer pra sempre
Quem sente o mundo como um inferno sem fim
Quem não tem chão quanto mais caminho
Quem luta sozinho, contra si mesmo
E dá seus passos à beira do abismo

Morre lentamente

Quem não tem sonhos que não os de ter uma outra vida
Quem perdeu a última esperança
Quem perdeu a vida na estrada da perdição
Quem perdeu o sorriso para a tristeza
E perdeu toda a fraternidade que lhe aguardava

Morre lentamente

Quem só tem o desprezo como companhia
Quem sente que nasceu pra morrer cedo
Quem fraqueja perante a frieza da vida
Quem perdeu o otimismo e caiu no niilismo
E anoitece todo dia a toda hora

Morre lentamente

Quem se artificializa e se torna o que não é
Quem desistiu de escolher e deixou seu rumo ser definido pelo acaso
Quem acredita que nada tem volta
Quem só vive e respira
E acha que tem mais mal do que bem a oferecer

Fecho os olhos e escuto o coração
Ele está pulsando solidão
Bate...bate...bate...bate...b...

EAC

terça-feira, 31 de maio de 2011

Tudo é impossível outra vez


Tudo é impossível outra vez


e estou a ponto de encarar um outro mês
e parece que o rio que me leva se desfez
e tudo que se passa precipita de uma vez
e dizem que aquilo que foi feito que se fez
e falam que entre o dois e entre o quatro tem o três
e tudo que eu faço e que eu fiz se foi de vez


EAC

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Abrigo


Abrigo

Onde estou neste momento?
Tenho um horizonte à vista?
Vim até tão longe mas, sei pra onde ir?
Sei o que é preciso ser feito hoje?
Agora, daqui a pouco?

Por que estou tão perdido?
Por que as coisas estão no caminho errado?
Por que meu interior parece tão incolor?

Será falta de coragem pra fazer aquilo que preciso fazer?
Serão as dores que acumulei pela vida
Mas que não consigo retirá-las do peito?
Será o valor perdido, as lembranças de glórias passadas?
Serão as dúvidas do futuro, que me deixam deslocado?

Ou seria, talvez, a falta dum abrigo?
Um corpo, uma alma (minha e tua)
Um cantinho, um esconderijo (para dois)?
Um pouco de afeição e carinho?
Um lar, em vida compartilhada?

Um lugar de mútua felicidade e cumplicidade.

Onde eu possa viver a teu lado.
Onde a vida há de crescer.
Um lugarzinho, um ninho.
Onde o amor há de curar
As feridas do meu viver.
Euclides Araújo

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A vagar



A vagar
 
Ah, o destino inexistente
Ah, as trilhas perdidas
São caminhos desconhecidos
Que tentei percorrer, inutilmente
E minha luta foi em vão

Sonhei em ser um vento de esperança
Mas os sonhos se foram
Hoje só tenho lágrimas
E silêncio derrotado

O precipício diante de mim
Instiga minha alma
E eu vou ao chão
Com minhas duas mãos
A suportar o peso da vida

Então, eu posso ver
O tamanho de meu abismo
A escuridão em meu coração

Com insensatez desesperada
Fico a vagar nessa imensidão
Procurando por felicidade em vão
 
EAC

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A lívida poesia

Feita em homenagem a uma garota:




A quem estou a escrever?
Quais são os olhos que estão a devorar-me?
Quem de duas décadas ainda está disposto a ouvir-me?

O altar não persegui
Nem caminhos percorri
Entrei-me por vezes
Trespassei até demais

Mas o que encontrei, perdeu-me
Chamaram-me e estava avulso
Andei, andei, andei, andei
O olhar movia-se, em difusão

Tantas vezes estive emperrado
O vento era o consolo
E os passos o cansaço

O tempo passou e endureceu
Os ossos atritam-se em duras cartilagens
O choro não veio, o riso não veio, não veio o devir

Arraiguei-me e me espanto
Esgotado, olho os que me seguem
Sem saber pra onde vou

Mas um dia dizer-lhes-ei:
Onde estavam com a cabeça
Que não viram que era eu
Quem buscava alguma coisa?

Euclides Araújo