sexta-feira, 10 de junho de 2011

Coração Noturno


Morre lentamente

Quem dói todos os dias
Quem não chora, porque não pode
Quem teve passado e não vê nenhum futuro
Quem é sempre ignorado e incompreendido
E não sente nada além do vazio

Morre lentamente

Quem quer desaparecer pra sempre
Quem sente o mundo como um inferno sem fim
Quem não tem chão quanto mais caminho
Quem luta sozinho, contra si mesmo
E dá seus passos à beira do abismo

Morre lentamente

Quem não tem sonhos que não os de ter uma outra vida
Quem perdeu a última esperança
Quem perdeu a vida na estrada da perdição
Quem perdeu o sorriso para a tristeza
E perdeu toda a fraternidade que lhe aguardava

Morre lentamente

Quem só tem o desprezo como companhia
Quem sente que nasceu pra morrer cedo
Quem fraqueja perante a frieza da vida
Quem perdeu o otimismo e caiu no niilismo
E anoitece todo dia a toda hora

Morre lentamente

Quem se artificializa e se torna o que não é
Quem desistiu de escolher e deixou seu rumo ser definido pelo acaso
Quem acredita que nada tem volta
Quem só vive e respira
E acha que tem mais mal do que bem a oferecer

Fecho os olhos e escuto o coração
Ele está pulsando solidão
Bate...bate...bate...bate...b...

EAC

Nenhum comentário:

Postar um comentário