terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A vagar



A vagar
 
Ah, o destino inexistente
Ah, as trilhas perdidas
São caminhos desconhecidos
Que tentei percorrer, inutilmente
E minha luta foi em vão

Sonhei em ser um vento de esperança
Mas os sonhos se foram
Hoje só tenho lágrimas
E silêncio derrotado

O precipício diante de mim
Instiga minha alma
E eu vou ao chão
Com minhas duas mãos
A suportar o peso da vida

Então, eu posso ver
O tamanho de meu abismo
A escuridão em meu coração

Com insensatez desesperada
Fico a vagar nessa imensidão
Procurando por felicidade em vão
 
EAC

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A lívida poesia

Feita em homenagem a uma garota:




A quem estou a escrever?
Quais são os olhos que estão a devorar-me?
Quem de duas décadas ainda está disposto a ouvir-me?

O altar não persegui
Nem caminhos percorri
Entrei-me por vezes
Trespassei até demais

Mas o que encontrei, perdeu-me
Chamaram-me e estava avulso
Andei, andei, andei, andei
O olhar movia-se, em difusão

Tantas vezes estive emperrado
O vento era o consolo
E os passos o cansaço

O tempo passou e endureceu
Os ossos atritam-se em duras cartilagens
O choro não veio, o riso não veio, não veio o devir

Arraiguei-me e me espanto
Esgotado, olho os que me seguem
Sem saber pra onde vou

Mas um dia dizer-lhes-ei:
Onde estavam com a cabeça
Que não viram que era eu
Quem buscava alguma coisa?

Euclides Araújo