quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Um homem comum




Perdido na noite, sem os pontapés
Nem sim nem não
Pouco importa

Falar das coisas belas da vida
Das belas, dos elos, das elas
Dos dias metaforicamente empacotados
Do show, do grande evento, da obra de arte
Que é usar palavras inúteis
Como se ao dar-lhes as ajeitadas, as aparadas, os retoque finais
Elas fossem de alguma valia

Sou poeta, pois?
Que importa ser vestido disso ou daquilo
A minha sina é sentir
Os nomes são baratos
E eu prefiro ser só eu
Desrotulado, homem apenas

Que pena
Tinha um futuro grandioso junto às letras
Sua visão da literatura era diferente, talvez
Hoje em dia tudo é diferente
Ninguém quer seguir uma corrente, encarcerar-se

Quantas linhas preciosas?
Quantas entonações e sonetos
Forçosamente ritmados
Lástima, é o fim

Quanta falta de poesia deve um poeta ter
Para ser verdadeiro poeta?

- Euclides Araújo

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